quando abri a porta, dei-me conta de não lembrar-me a ultima vez em que a tinha visto assim...
tão bagunçada, mal cuidada...
minha sala estava do avesso, as gavetas que guardavam tantos segredos, abertas. e eu nem fazia ideia de quem exatamente agora os conhecia.
o sofá que outrora era quase um ninho de amor, estava rasgado. e já era tão desconfortável, que não queria nem me deitar...
na televisão passavam só filmes tristes e novelas bregas.
haviam sumido com os cd's de 'nossas músicas' todos, nem um acorde sobrara.
os porta retratos e álbuns, com nossas lembranças, apagados... continuavam lá, sem foto alguma.
a cozinha continuava intacta, como antigamente, culinária e habilidades de 'dona de casa' nunca foram meu forte mesmo.
o quarto... a cama já não era a mesma, agora estava uma pequena, que só cabia eu.
no guarda roupa, nenhuma roupa maior que as minhas, como eu sempre gostei, eram só as minhas, e estavam sujas... já não as quero, estão fora de moda.
e o meu edredon, já não aquece naquela noite fria.
no dia em que voltei pra casa, até quis mudar-me dali, já não é meu lugar.
mas então, abri a janela.
me jardim está lá, minhas flores também...
já não é
e tenho que arrumá-la, afinal, quando se mora no próprio coração, é imprescindível que seja, o melhor lugar de estar.
"Abaixo a razão e o pensamento! O negócio é só sentir, meu irmão, só sentir.Pensar já era. Pensar acabou, não se usa mais." (Caio Fernando Abreu)

