hoje algo estranho me ocorreu, minha mãe me disse :
não vejo a hora que tu saia de casa, vamos ser tão amigas !
você deve estar pensando que isso foi depois de uma discussão néh ? NÃO, foi depois de um abraço de carinho.
fiquei tão surpresa quanto você, talvez... olhei pra ela quase rindo, por achar que era uma piada.
ao que ela me disse : não faz essa cara, foi pra isso que te criei, pra tu ir embora, mas vou sentir saudades, não te preocupes.
aquilo formou algo de diferente no meu coração, é eu vou embora. nunca fui muito emocionalmente dependente de minha família, embora os ame com todas minhas forças, e sempre soube, que iria embora, mas nunca pensei que, fui programada para ir embora.
há pessoas que odeiam despedidas, eu as acho lindas, hoje entendi porque, me ensinaram isso.
meu amor profundo, sempre surgiu na distancia, talvez porque a distancia apague aqueles detalhes indesejáveis nas pessoas, que não, nunca são perfeitas... talvez porque meça o quanto estou disposta a ir atrás do que amo.
não sei, mas, tristemente, fui criada para partir, não para ser deixada, mas para deixar, ou melhor, levar mas só na lembrança.
isso me assusta, talvez seja a explicação para minha veneração à liberdade..
acho que nem mesmo a este mundo pertenço, vou partir dele, fui feita pra isso, alias, todos fomos.
mas não sei ainda, se é dessa forma que deve ser, se sempre quero seguir, talvez um dia algo aprisione meu coração e minhas forças, talvez tenha que mudar esse meu jeito distante de amar.
é, mas isso me assusta.
mergulhei no que você não conhece, como eu mergulhei - clarice lispector


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